Ao cuidado de não errar outra vez


 

Estou num muro sem reboque 

No olhar cego de um cachorro abandonado 

Nas ruas sem saída, nas placas de não toque 

No horizonte mal desenhado, borrado 

 

Estou no fundo da sua mente 

Na cor dos seus olhos e dos seus cabelos 

Na hora que você não vê passar 

Na parte má dos seus conselhos 

 

Estou em cada sonho profundo 

Em cada ar alegria ou tristeza 

Em cada gesto de maldade 

Em cada ofuscar de sua beleza 

 

Não estou no seu passado 

Muito menos no seu futuro 

Nos planos que deram errado 

Muito menos nos que ainda são obscuros 

 

Não estava no momento da sua morte 

Não estava no velório, nem no enterro 

Estava, sim, no seu caixão 

E fui para um buraco, no mesmo aterro 

 

Agora vejo a vida recomeçar 

E é você que não está 

Eu que gostava tanto dos seus sonhos 

Onde parava para refletir, repensar 

 

Sua vida não estava nas minhas mãos 

Você apenas tomou um rumo equivocado 

Decidiu, inventou uma vida, escolheu 

Não posso nem pedir perdão, pois o sonho era seu 

 

 


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